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Projetos inovadores dão novas esperanças a pequenos produtores rurais do interior do Ceará

Projetos no Interior do Estado levam novo verde a paisagem (Foto: Arquivo Seapa)
Desde 2011 o Ceará sofre com a falta de chuvas. A situação prejudicou vários setores da sociedade, inclusive na economia de várias cidades cearenses que dependiam da água para sustento e produção. Agricultura, piscicultura e horticultura são algumas das culturas que precisaram de adaptação ao período de seca.

Com projetos inovadores, ideias próprias e investimentos do Governo, milhares de trabalhadores do interior do Estado conseguiram passar por seis anos de seca com produções expressivas no Valor Bruto da Produção (VBP) agrícola. Segundo dados do Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (GCEA/IBGE), em 2017 houve um crescimento na produção em comparação com o ano anterior, com R$ 2,03 bi em 2016 e R$ 2,81 bi no ano passado.

Em 2018, com chuvas acima da média, produtores esperam colher os frutos do que foi investido nos últimos anos. Apesar da boa quantidade de chuvas até agora, a quantidade de reservatórios com nível abaixo do ideal é maioria.

Integração de culturas

O Ceará é um dos maiores produtores de tilápia criada em cativeiro do Brasil e grande consumidor do produto. Com a seca prolongada e açudes chegando ao volume morto ou à secura, a prática da piscicultura, que era concentrada em grande parte dentro de grandes açudes do Estado, foi duramente prejudicada.


Produção de pescado deve zerar até o fim do ano de 2016

Após o nível do açude da região de Quixeramobim chegar a nível crítico e impossibilitar a criação de alevinos, pequenos produtores locais desenvolveram uma nova forma de continuar o trabalho. Eles transferiram a produção para poços artesanais escavados. Na técnica é usado menos água na criação dos peixes. Após uma visita de uma comitiva da Secretaria de Agricultura, Pesca e Aquicultura do Estado (Seapa) houve um intercâmbio de informações e a técnica foi aperfeiçoada.

"Começou com um projeto independente com produtores da região. Um produtor investiu no projeto e os engenheiros da secretaria entraram com o desenvolvimento da técnica", afirma Ticiana Mesquita, orientadora de célula da Seapa.

O projeto de integração de culturas terá mais uma base lançada nesta terça-feira, 6(Foto: Arquivo Seapa)

Com a evolução do projeto pelos engenheiros da Seapa, duas culturas foram integradas: a piscicultura e a horticultura. Pelo projeto, haverão três tanques com 60m³ de água e densidade de mil peixes por tanque. Durante a troca de água dos reservatórios, o líquido que seria descartado será utilizado na irrigação de dois hectares de uma horta onde será plantado, inicialmente, tomate, pimentão e mamão formosa.

Segundo o secretário titular da Seapa, o projeto idealizado em Quixeramobim merece destaque pelo uso consciente da água na produção. "Com a integração de culturas e reaproveitamento de água é mais rentável para o produtor. Beneficia mais os pequenos e médios produtores", destaca.

O projeto é acompanhado pelos técnicos da secretaria com visitas a cada 15 dias. A partir da primeira base a ideia deve se expandir com a chegada do projeto a Orós, cidade onde tem uma comunidade que dependia do açude para produção de tilápias, mas com a seca a produção diminuiu. No próximo terça-feira, 6, será inaugurado em parceria com a cooperativa de produtores locais mais uma base do projeto. 

Esperança renovada

No fim de janeiro, o governador Camilo Santana lançou por mais um ano o programa Hora de Plantar. Lançado pela primeira vez em 1987 a partir do programa Arracanda da Produção, o projeto dá sementes e mudas a produtores do Interior. A distribuição das sementes e mudas se adequa as reais necessidades dos agricultores familiares.

Estão cadastrados de forma informatizada no programa cerca de 250 mil agricultores familiares, segundo dados do site do Governo do Estado. Em 2018, foram distribuídas 2.630 toneladas entre sementes de milho, feijão, sementes oleaginosas, forrageiras (sorgo), manivas e raquetes de palma forrageira; entre as mudas de árvores são de três tipos, as nativas como aroeira, angico, canafístula, ipê, pau branco e sabiá; as exóticas como acácia, cedro e mogno; e as frutíferas como acerola, caju, cajá, umbu cjá. Goiaba e manga.

Aliado a esse programa que tem mais de 30 anos, um plano municipal de Limoeiro do Norte, situado a 190 km de Fortaleza, inova no apoio aos pequenos agricultores que acumularam prejuízos em suas lavouras nos últimos anos de seca. O programa Preparo de Solo fornece tratores aos produtores por algumas horas para a plantação das sementes de feijão, milho, sorgo e mandioca fornecidos pelo Hora de Plantar do Governo do Estado.

O secretário municipal de Atividades Econômicas de Limoeiro do Norte, Éderson Castro Pimpão, ressalta a importância do programa e a expectativa com a produção. “Os agricultores familiares possuem juntos uma expectativa de produção superior a sete milhões de quilos em grãos”. 

O gestor revela que a seca que vinha castigando a cidade fez com que diversas famílias abandonassem a zona rural e o programa do município serve de incentivo aos pequenos agricultores para que voltem a produzir.

O Povo Online

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