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FONTE EÓLICA JÁ REPRESENTA MAIS DE 64% DA MATRIZ ENERGÉTICA DO NE

A falta e chuvas que há mais de seis anos atinge a Região Nordeste, com forte impacto nas usinas da Bacia do São Francisco e afetando a geração de energia hidrelétrica, levou a fonte eólica a responder por mais da metade de toda a energia fornecida nos noves estados que a compõem. No último dia 16 de julho, a energia respondeu por 12,6% de toda a energia demandada ao Sistema Interligado Nacional (SIN). No Nordeste ainda foi registrado um novo recorde, pois 64,2% da energia consumida na região, no último dia 30 de julho, foram provenientes da força dos ventos.

As informações foram reveladas, ontem, pelo diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Eduardo Barata, ao participar da conferência e exposição Brazil Windpower 2017, que discute até hoje, no Rio de Janeiro, os rumos e avanços da energia eólica. Ele lembrou que até 2008 e 2009 todo o suprimento energético do Nordeste decorria de fontes hidrelétricas, provenientes das usinas da Bacia do São Francisco. “Com a redução das chuvas e das afluências, tivemos que buscar nova fonte e foi aí que apareceu a eólica. O resultado tem sido excepcional, até porque a região é acometida por ventos excepcionais e razoavelmente constantes, o que proporciona uma capacidade de geração que se situa entre as melhores do mundo”, explicou.

Para Luiz Eduardo, é exatamente em decorrência da forte estiagem na Bacia do São Francisco que, atualmente, a energia eólica tem “importância capital para a Região Nordeste, situação que deverá continuar por muito tempo, uma vez que não vislumbramos, a curto prazo, uma mudança das característica atuais”. Ele disse, ainda, que é possível imaginar que, no futuro, com a chegada de outras fontes de energia, como a térmica, por exemplo, o sistema poderá oferecer alternativas e responder mais rapidamente ao principal problema decorrente da forte dependência da geração eólica que, por vir dos ventos, precisa de outras fontes que compensem suas variações.

Fornecimento
Luiz Eduardo, no entanto, garantiu que o fornecimento da energia para o Nordeste está assegurado. Embora a solução de maior garantia para a região passe pela energia eólica, há ainda, segundo disse, uma contribuição significativa da energia hidroelétrica importada do Norte e do Sudeste. “Hoje, podemos dizer que o abastecimento do Nordeste, na maior parte do tempo, está sendo garantido pelos mais de 50% da energia eólica produzida na região. Depois, entra aí nesta equação a fonte térmica, além da energia hídrica que vem do Norte e Sudeste. Mas é evidente que embora assegurado, a complexidade da operação para viabilizar o abastecimento aumentou bastante”, acentuou.

O diretor do ONS disse que a energia proveniente de fonte eólica já responde em torno de 6% da capacidade da matriz energética brasileira, percentual que tende a se expandir até chegar em torno de 10% a 12% em 2021. “Este percentual deverá expandir dos atuais 10 mil megawats para algo em torno de 14 a 15 mil megawats em 2021, o que é um crescimento significativo”, asseverou Luiz Eduardo.

O Ceará, atualmente, é o terceiro maior produtor nordestino de energia produzida através dos ventos e há projetos de instalação de novos parques eólicos em andamento. A boa constância e velocidade dos ventos no Estado, permitem forte expansão, principalmente na faixa litorânea.

O Estado


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